DISTRITO FEDERAL – No sábado (21/2) o ex-deputado Junior Brunelli convidou alguns amigos e autoridades para um evento pelo seu aniversário em uma pizzaria em Taguatinga. A taxa de adesão era de R$ 75,00. Como não tem mais eleitores, Brunelli reuniu pouco mais de 30 pessoas em um canto da pizzaria para passar a imagem que o ambiente estava “lotado” para ouvi-lo.
De acordo com um vídeo que circula nas redes sociais publicado no Instagram pelo @imprensabrasilia, uma cliente da Pizzaria São Paulo se mostrou indignada após estar em um restaurante que oferece música ao vivo e, durante a apresentação, um outro microfone ter sido ligado no ambiente, iniciando uma espécie de culto em ação de graças pelo aniversário do ex-deputado Brunelli.
Quando o músico da casa parou de cantar, ela procurou o gerente e afirmou que não iria pagar couvert artístico para ficar ouvindo ex-político falar. O gerente respondeu que o músico estava em intervalo e que a pausa duraria cerca de 20 minutos. Ela ainda perguntou se qualquer pessoa que estivesse comemorando aniversário poderia pegar o microfone e falar, e ele respondeu: “Todos têm espaço”.
Segundo a cliente, quando o cantor da casa voltou a se apresentar, o outro microfone continuou ligado, com discursos e homenagens.
Em entrevista ao Imprensa Brasília, ela comentou que políticos estavam presentes no local e que houve falas com conteúdo político.
“Falaram que era aniversário, mas começaram a citar nomes como Brunelli, Izalci e agradeceram ao Arruda. Teve fala sobre político injustiçado, compararam com José perseguido no Egito. Parecia um culto mesmo. E, no final, teve inclusive um berrante, enquanto o cantor da casa se apresentava”, afirmou.
“Se quisessem fazer culto ou ato político, poderiam ter feito em outro local. Era uma pizzaria cheia, com música, gente bebendo”, declarou.
O caso gerou debate nas redes sociais sobre o uso de espaços privados para manifestações políticas e religiosas e sobre a cobrança de couvert artístico em situações que fogem à proposta musical anunciada.
IZALCI E ARRUDA
Das muitas autoridades que convidou, Brunelli conseguiu reunir apenas duas figuras políticas: o ex-governador José Roberto Arruda e o senador Izalci Lucas. O parlamentar já declarou apoio a Arruda, contrariando seus correligionários do PL, que já declararam apoio a Celina Leão (PP).
BRUNELLI SEGUE INELEGÍVEL
Devido ao escândalo da Caixa de Pandora, Brunelli renunciou ao cargo de deputado distrital em 2010 e teve candidaturas negadas pela Justiça Eleitoral posteriormente, devido à Lei da Ficha Limpa, como nas eleições de 2018 e 2022. Em ambas, ele afirmava aos eleitores que estava elegível, mas definitivamente não estava.
Em 2018, a justiça eleitoral negou, por unanimidade, o registro de candidatura do ex-deputado distrital Júnior Brunelli (MDB), conhecido por puxar a “oração da propina” – vídeo icônico da Operação Caixa de Pandora, que apurou o escândalo conhecido como Mensalão do DEM, de deflagrou esquema de propina no então governo de José Roberto Arruda. Ele tentava concorrer novamente à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
A 18 dias do primeiro turno das eleições de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) finalizou o julgamento das candidaturas dos postulantes a cargos eletivos pela capital da República. Dados da Corte e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostraram que 35 candidaturas foram barradas, entre elas, a de Rubens Cesar Brunelli Junior e do ex-governador Agnelo Queiroz, com base na Lei da Ficha Limpa.
DESVIO DE EMENDAS
Brunelli ainda tem contas a acertar no âmbito da Operação Hofini

Em 2017, Promotores de Justiça lotados na Promotoria de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social – PJFEIS e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO, celebraram acordo de delação premiada com duas ex-funcionárias que trabalharam para o ex-distrital Júnior Brunelli.
A operação Hofini, realizada em 2012, de responsabilidade da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), recebeu esse nome em alusão ao sacerdote Hofini, que roubava dízimos e ofertas dos fiéis. Ele foi condenado em 14 de junho de 2012, pela Justiça do Distrito Federal a devolver R$ 400 mil aos cofres públicos, além de pagar multa de três vezes o dano causado ao erário, equivalente a RS 1,2 milhão, mais danos morais de R$ 1,4 milhão.
O ex-deputado Júnior Brunelli, na sua primeira legislatura (2003-2006) aprovou um projeto de lei em 2005 que dava a Associação de Assistência Social Monte das Oliveiras (AMO), comandada por familiares, o status de entidade de utilidade pública, facilitando assim o recebimento de verbas federais e distritais através de emendas, como o caso de desvio investigado pela operação Hofini.
A DELAÇÃO
Maria das Mercês Pereira de Souza e Marlucy de Sena Guimarães de Oliveira, rés na Ação Penal 2010.07.1.034477-4, fizeram o acordo para revelar todos os bastidores de como Brunelli montou um esquema para se apropriar de dinheiro público. Em troca da delação, elas receberam o perdão judicial. Marlucy entregou 2 caminhões trio elétrico, 1 sala comercial na Torre A do Alameda Shopping, em Taguatinga , além de 48 pagamentos. Os bens foram colocados por Brunelli em seu nome para não levantar suspeitas. Já Maria, além de 48 pagamentos, entregou um veículo Strada 2007.
Na delação, elas contaram como tudo aconteceu. Ambas entregaram documentos, recibos, cópias de cheques, extratos, anotações e HD que comprovavam as denúncias.
CONDENAÇÃO
Em agosto de 2020, a 1ª Vara Criminal de Taguatinga condenou o ex-deputado distrital Júnior Brunelli a mais de dez anos de prisão e pagamento de multa, no processo 0034026-85.2010.8.07.0007, no caso do desvio de verba de emendas.
Já em 2023, a 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação do ex-deputado distrital Rubens César Brunelli Júnior por peculato, mas reduziu a pena para 7 anos, 2 meses e 7 dias de prisão, em regime inicial fechado. Ele recorreu da sentença. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) acusou Brunelli de desviar recursos de emenda parlamentar enviada para a Associação Monte das Oliveiras (AMO), no valor de R$ 1,7 milhão, em 2009.
Segundo o MPDFT, Brunelli e outros réus falsificaram notas fiscais apresentadas na prestação de contas à antiga Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do DF (Sedest).
Apenas a condenação pelo crime de peculato foi mantida. Quanto à outra acusação, de associação criminosa, a 3ª Turma Criminal reconheceu que houve prescrição, portanto, o ex-deputado não poderia ser condenado pelo delito. O acórdão foi publicado em 4 de abril de 2023.

O juiz titular da 1ª Zona Eleitoral de Brasília, Lizandro Garcia Gomes Filho, manteve a validade das gravações feitas pelo delator da Caixa de Pandora, Durval Barbosa, em processo contra o ex-deputado distrital Júnior Brunelli. A decisão foi expedida em 1º de setembro de 2023.
O juiz eleitoral negou pedido da defesa do ex-deputado para declarar a ilicitude das gravações feitas por Durval.
“Doutro lado, razão não socorre à defesa quanto a tese de ilicitude das gravações realizadas pelo colaborador premiado. (…) A gravação ambiental realizada por colaborador premiado, um dos interlocutores da conversa, sem o consentimento dos outros, é lícita, ainda que obtida sem autorização judicial, e pode ser validamente utilizada como meio de prova no processo penal”, enfatizou o magistrado.
@metropolesoficial O juiz titular da 1ª Zona Eleitoral de Brasília, Lizandro Garcia Gomes Filho, manteve a validade das gravações feitas pelo delator da CaixadePandora, DurvalBarbosa, em processo contra o ex-deputado distrital Júnior Brunelli. A decisão foi expedida nessa sexta-feira (1º/9). O ex-parlamentar foi filmado rezando junto a Durval, no episódio que ficou conhecido como “oração da propina”. As imagens integram o acervo de provas de um suposto esquema de pagamento de dinheiro, de origem ilícita, a deputados distritais em troca de apoio ao então governador José Roberto Arruda, entre 2007 e 2009. A ação penal por corrupção passiva contra Brunelli tramitou, inicialmente, na 7ª Vara Criminal de Brasília, mas foi enviada à Justiça Eleitoral por decisão da 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Na decisão dessa sexta-feira, o juiz eleitoral negou pedido da defesa do ex-deputado para declarar a ilicitude das gravações feitas por Durval. #TikTokNotícias
Brunelli ainda tem contas a acertar na Operação Caixa de Pandora e Operação Hofini e segue inelegível, mas continua iludindo alguns políticos do DF, assim como fez em 2018 e 2022. Ou seja: continua sendo o mesmo Brunelli que fez a oração da propina e envergonhou o DF ao lado de Arruda, ambos denunciados por corrupção.



