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A “gestão” mais sagrada
A

*Deusirene Alves Oliveira

Muitas vezes, minha trajetória é lida pelo currículo: a experiência no setor bancário, na gestão estratégica, o MBA ou os cargos administrativos ocupados. No entanto, neste Dia das Mães, convido você a olhar para algo mais sagrado: o dom da maternidade.

Recentemente, no encontro com as mães colaboradoras da Fundação João Paulo II, senti  vontade de tirar o blazer e dizer: “Aqui, não estou como diretora, mas como mãe; estou em casa.”  Foi um gesto que resumiu bem o que vivo hoje: meu “indicador de desempenho” mais desafiador e apaixonante é ver o sorriso do meu filho de três anos.

Lembro-me de que, quando cheguei de Natal (RN), senti o impacto da mudança para Cachoeira Paulista (SP). Hoje, entendo que o “estar em casa” não é apenas uma questão geográfica, mas um estado do coração.

Ao longo da minha vida, gerir recursos e enfrentar crises fez parte da minha rotina. Mas nada me preparou de maneira tão profunda para compreender e cuidar do ser humano quanto a maternidade.

Se na Canção Nova buscamos formar “Homens Novos para o Mundo Novo”, compreendi que minha maior missão de evangelização não acontece apenas nas reuniões estratégicas, mas também no chão da sala, entre blocos de montar e perguntas do meu filho, como: “Mamãe, Jesus também brincava quando era criança?” Perguntas que não cabem em planilhas, mas transformam o coração.

Essa fase da infância exige de nós mães um constante exercício de resiliência. Aos três anos de idade, a independência floresce e a vontade se afirma. É um estágio que exige de mim firmeza, mas uma firmeza despojada, banhada pela ternura aprendida no carisma do Padre Jonas Abib.

Meu filho não conhece meus títulos. Ele conhece minha voz, minha presença e o calor do meu cuidado. Na gestão, tempo é um recurso escasso; na maternidade, tempo é a moeda do amor. Cada minuto dedicado a ouvir suas palavrinhas é um investimento com retorno eterno.

Ser mãe me ensinou que a vida não é simplesmente ter metas batidas; é um ciclo de entrega. A missão de ser mãe é, essencialmente, a missão de ser serva. Embora eu ajude a gerir uma obra que evangeliza milhões, minha maior obra está em formação dentro de casa.

Neste Dia das Mães, minha oração é de gratidão: pelos desafios que me deram estrutura e pelos abraços que me devolvem a esperança. Celebro a mulher que se sente plenamente realizada ao ser chamada simplesmente de “mamãe”.

Que possamos, como mães e profissionais, entender que a excelência só faz sentido se o nosso coração estiver ancorado naquilo que é essencial.

Feliz Dia das Mães para nós, que administramos o mundo lá fora, mas sabemos que o Céu se faz presente no despojamento de um abraço de filho.

*Deusirene Alves Oliveira é missionária da Comunidade Canção Nova e Diretora Executiva da Fundação João Paulo II. Deusirene Alves de Oliveira – Assessoria de Imprensa

Foto: Bruno Marques / Canção Nova

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