De acordo com a especialista Simone Arruda, a gestão dos riscos psicossociais influencia diretamente na produtividade, na retenção de talentos e nos resultados financeiros das empresas
A partir de 26 de maio, os empresários brasileiros terão de se adaptar às fiscalizações estipuladas pela atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01) que, desde 2025, passa a exigir a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a lei promove um grande impacto no setor corporativo ao exigir que as empresas se atentem aos fatores dentro do ambiente de trabalho que podem comprometer a saúde mental dos colaboradores.
Com a norma entrando em vigor, empresários já precisam introduzir ações como a identificação e classificação dos riscos psicossociais, elaboração de planos de ação preventiva, registro de evidências das medidas adotadas e monitoramento contínuo do ambiente organizacional. Com o início das fiscalizações após a data de 26 de maio, a psicóloga empresarial brasiliense, Simone Arruda, afirma que a NR-01 não deve ser vista apenas como uma obrigação a ser cumprida, mas como uma oportunidade dos CEOs elevarem os ganhos do próprio negócio.
“A NR-01 obriga o empresário a olhar para dentro da própria operação, sendo possível visualizar todos os gargalos que estão custando dinheiro ao caixa da organização: absenteísmo, turnover, queda de produtividade e conflitos que travam equipes; problemas estes que a norma manda mapear. Então a preparação mais inteligente não é fazer o diagnóstico para cumprir a lei. É usar a obrigatoriedade como oportunidade para finalmente entender o que está travando o desempenho da sua empresa”, afirma.
Caso as exigências fiscais não sejam cumpridas, levantamentos técnicos indicam que multas administrativas por falhas na NR-01 podem variar de cerca de R$1,7 mil a R$8 mil, podendo também ocasionar em autuações do Ministério do Trabalho ao mesmo tempo que causam danos à reputação da organização. Entretanto, ainda de acordo com Simone Arruda, os valores das multas devem ser a menor das preocupações.
“O empresário que faz o diagnóstico só para evitar multa vai gastar dinheiro e não vai mudar nada pois o maior problema é o custo invisível que ele já está pagando e não sabe. Um afastamento por burnout, por exemplo, custa em média de 3 a 5 vezes o salário mensal do colaborador quando você soma queda de produtividade, substituição, treinamento e possível processo trabalhista. Um bom diagnóstico identifica onde esses riscos estão antes que eles ocasionem um afastamento e o monitoramento contínuo é o que garante que a empresa não volte para o mesmo lugar daqui a um ano”, reitera a especialista que já possui mais de 20 anos de atuação na área de desenvolvimento de pessoas, seja dentro ou fora das empresas.
De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil teve, em 2025, mais de 4 milhões de benefícios cedidos por conta de incapacidade temporária, sendo que os casos de ansiedade e depressão registraram quase 300 mil afastamentos, número recorde na história do país. Por outro lado, de acordo com estudos promovidos pela ONG Endeavor Brasil em colaboração com o BID Lab, 94,1% dos fundadores de startups afirmaram já terem sofrido com alguma doença mental, que incluem o burnout e ataques de pânico, ao longo da jornada empreendedora. Para Simone Arruda, a saúde mental deve ser um tópico crucial no cotidiano de todos os envolvidos no ambiente corporativo.
“Eu espero que a NR-01 ajude a mudar uma narrativa que não serve a ninguém — a de que empresário é o vilão e colaborador é a vítima. Quando o diagnóstico é feito com seriedade, o que aparece é que os dois lados sofrem com os mesmos problemas de organização, comunicação e falta de clareza. O futuro que eu enxergo é o de um ambiente onde o empresário tem informação para gerir melhor, o colaborador tem condições para entregar mais, e os dois saem ganhando com isso.” conclui.
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Simone Arruda
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